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Marcella Tamayo | Minas que Inspiram

  • Lina Lobo
  • 30 de jul. de 2017
  • 4 min de leitura



Desenhar e escrever foram atividades que ajudaram Marcella a manter a cabeça no lugar, a entender o que pelo que estava passando. Mesmo se eu trabalhasse com outra coisa, provavelmente ainda desenharia e escreveria como uma terapia. Trabalhar com ilustração e animação foi uma maneira que ela encontrou de exercer a criação como profissão.


Studio Monstrolina

Como ela mesmo diz: "É uma insistência constante e muitas vezes irracional, mas que de alguma forma me deixa feliz. Se não fosse pela alegria, que pessoa escolheria trabalhar com algo tantas vezes tão irregular? Talvez nenhuma. O caminho do desenho é essa mistura de quebra e poesia, acho que as pessoas que estão nele são assim também, meio quebradas e coloridas. É fascinante, desafiador e às vezes dói um pouco, mas tudo isso me motiva. Enquanto estiver inspirada, com saúde e os boletos em dia está tudo certo."


1. O seu trabalho é super colorido e leve, onde você busca inspiração?

As referências visuais variam conforme o tempo. Fui uma criança Sailor Moon e Magritte, depois veio um monte de gente, muitas bandas, histórias, filmes e paisagens. Acho que hoje estou numa mistureba de Osamu Tezuka, mexerica e tinta rosa. De uns anos para cá tenho admirado muito a coragem das formas geométricas combinadas com texturas, cores potentes e quem consegue se expressar em profundidade com elas. O trabalho da Elisa Carareto é de uma força maravilhosa. Também não me canso dos filmes da UPA. A simplicidade e o otimismo é o que eu tenho procurado para minha vida e isso deve acabar indo para o desenho de alguma forma.



2. Que dica você daria para as leitoras que pretendem encarar a ilustração como profissão?

Coragem e uma disposição para a introspecção. É um trabalho que pode ser muito solitário, além das condições do mercado que costumam variar bastante. Acho que uma mistura de pró-atividade para criar o próprio caminho e uma calma para confiar que vai dar tudo certo pode ser bom. Tem horas que o trabalho de meses é desenhar croissants ou diversos tipos de chocolates. Mas o trabalho também pode ser mais subjetivo. Nesse sentido trabalhar com desenho é dar vazão para suas experiências e sensações. Representar sua forma de enxergar a vida. Acho que é importante não esquecer de trabalhar esse lado também, de afinar a sensibilidade para o mundo e a habilidade de comunicação. Isso nem sempre vem da prática do desenho. É uma tarefa difícil, maravilhosa e cada pessoa tem uma forma de trabalhar isso dentro de si. Descobrir como também faz parte do processo.


3. Como é ser mulher ilustradora no mercado de trabalho brasileiro?

Você já sofreu de alguma forma por isso? Algumas pessoas ainda falam coisas do tipo “desenho de menina” de uma forma pejorativa. Como se o desenho feito por meninas e mulheres fosse algo sempre meigo, com menos técnica, mais fácil de ser feito, não sei. É uma bobagem, um atraso, a gente sabe. Às vezes a pessoa não fala isso na nossa cara, mas é um tom condescendente aqui, um diminutivo ali. Se a gente deixar, isso pode acabar minando a nossa confiança. Hoje não ligo muito para esse tipo de comentário, fico até com um pouco de vergonha por quem o faz. Acho que uma hora o entendimento vem para todo mundo. O mais importante é a gente seguir desbravando nosso próprio caminho.



4. Como foi o processo de transformar a sua paixão em negócio?

Não foi nada muito calculado. Terminei a faculdade, comecei a trabalhar em um estúdio de animação, depois em uma editora como ilustradora e foi aí que começaram a me pedir notas fiscais. Abri minha empresa, aprendi um pouco de contabilidade para lidar com as burocracias e foi isso. No geral eu sou uma pessoa organizada mas acho que eu não tenho o perfil ideal para dar dicas de negócio, infelizmente.


5. Qual foi o job que você mais curtiu fazer até então?

Entre os principais estão Anna Bee e Vivi Viravento. Criei Anna Bee com o Daniel Semanas em 2008 e foi o projeto pessoal mais extenso que tive até hoje. Criamos uma história, uma minissérie de animação (passou na MTV em 2011), uma banda chamada 2 HotHotMails (as músicas são do Pedro Faria de Conti e Sérgio Lombardi), participamos do Animamundi em 2013. O que me deixou mais feliz foi que conseguimos criar um universo interativo, que refletia nossos questionamentos na época e com o qual várias pessoas se envolveram.


Já Vivi Viravento é uma série de animação criada pelo Alê Abreu (de O Menino e o Mundo) que deve estrear na Discovery Kids ainda esse ano. Dividi a direção de arte com a Elisa Carareto e o Juan Herrera Prado. Produzir a arte de uma temporada inteira foi uma experiência intensa repleta de superação e colaboração. Crescemos bastante durante o processo, foi muito especial.


Para saber mais sobre o trabalho da Marcella, acesse: http://tama-yo.com/



Beijo,

Lina.


A Designer - Studio Monstrolina


Sobre quem escreve


Oi! Me chamo Lina. Sou diretora de arte, artista visual, crocheteira, bordadeira, mamãe de três nenéns e um gatinhos...Ufa! Enfim, um verdadeiro canivete suíço! Levo o empoderamento feminino das mulheres ao meu redor como projeto de vida. Para conhecer mais sobre o meu trabalho acesse:

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A Lina Sonha é um Estúdio Digital de Design e Ilustração,desde 2014 no mercado de Taubaté e do mundo! 

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